A história de Sueli e Maiza, da etnia Tikmũ’ũn (Maxakali), e seu pai Luís, Guarani-Kaiowá, é o foco do documentário Yõg ãtak: Meu Pai, Kaiowá. Separados durante a ditadura militar, quando indígenas eram deslocados para trabalhos forçados, o filme destaca a busca das filhas por seu pai após mais de 40 anos. O documentário, que estreou nos cinemas nesta quinta-feira (10), ilustra a resistência dos povos indígenas contra a precariedade e a redução de seus territórios.
Luís Kaiowá foi levado à região dos Maxakali pela Funai no início da ditadura. Originário de Dourados (MS), ele e sua família foram deslocados por agentes do Estado, passando por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Resplendor antes de se estabelecerem na aldeia Maxakali de Água Boa. Lá, ele casou-se com Noêmia Maxakali, e nasceram Maiza e Sueli. A separação ocorreu quando Sueli tinha apenas dois meses, com Luís sendo levado de volta para Mato Grosso do Sul.
A reaproximação começou com a chegada da internet nas aldeias, permitindo a Sueli e Maiza, através do Facebook, contatarem suas primas Marlene e Clara Kaiowá. Descobriram que Luís ainda vivia perto de Dourados. Com o auxílio de antropólogos Tatiane Klein e Roberto Romero, as filhas conseguiram trocar fotos e vídeos com o pai, culminando em um contato telefônico após mais de 40 anos de separação. O documentário não só registra esse encontro, mas também a vida e a luta dos povos Tikmũ’ũn e Guarani-Kaiowá.

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