A ciência da saúde mental revela que o fim de um relacionamento amoroso provoca alterações significativas no cérebro e no sistema nervoso, com efeitos comparáveis aos de uma dependência química e ao luto. Neurocientista Carla Jevoux, da UFF, e psicóloga Ana Claudia Boscarioli detalham como a interrupção abrupta de substâncias associadas ao apego e à recompensa gera sintomas emocionais e físicos intensos. O processo atinge especialmente o córtex pré-frontal e a amígdala, com tempo médio de recuperação entre três e seis meses ou mais.
Abstinência química e alterações cerebrais
O rompimento interrompe a liberação de dopamina, oxitocina e serotonina, criando um quadro de abstinência. O córtex pré-frontal reduz sua atividade enquanto a amígdala fica hiperativada, intensificando reações emocionais e físicas. Especialistas comparam o quadro ao observado em vícios, pois o cérebro perde de forma súbita os estímulos de recompensa que sustentavam o vínculo.
Quando estamos apaixonados, o cérebro libera grandes quantidades de dopamina, oxitocina e serotonina. O fim abrupto dessa liberação gera um verdadeiro ‘síndrome de abstinência’, semelhante ao que ocorre em vícios
Carla Jevoux
Readaptação e plasticidade cerebral
O cérebro requer tempo para reajustar seus circuitos de recompensa e apego. A recuperação não ocorre de forma imediata e varia conforme cada pessoa. Neurocientistas destacam que a exposição a novas experiências positivas acelera a formação de conexões neurais alternativas.
O cérebro precisa de tempo para readaptar seus circuitos de recompensa e apego. Isso não acontece da noite para o dia
Carla Jevoux
O cérebro tem uma capacidade incrível de plasticidade. Quanto mais a pessoa se expõe a novas experiências positivas, mais rapidamente ela consegue formar novos circuitos neurais que substituem as associações antigas
Ana Claudia Boscarioli
