Ao criticar a cobrança de 14,25% e defender a autonomia das forças policiais, ex-governador busca resgatar aliança histórica com os servidores.
Ao afirmar textualmente que “a polícia não é de governador coisa nenhuma; a polícia é do Estado”, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) não disparou apenas uma frase de efeito durante o encontro com 500 veteranos da segurança pública neste sábado. Trata-se de um posicionamento institucional que visa demarcar uma linha clara de separação entre o republicanismo que ele defende para as corporações e o modelo de gestão do atual governador Ronaldo Caiado. O palco escolhido foi a Associação dos Veteranos de Goiás (Avego), entidade que entregou ao tucano um manifesto por dignidade e valorização.
O ponto nevrálgico do descontentamento da categoria — e que serve como combustível político para a oposição — é a polêmica contribuição previdenciária de 14,25% imposta a aposentados e pensionistas. Marconi foi enfático ao prometer a extinção dessa cobrança, argumentando que a taxação penaliza aqueles que dedicaram décadas de suas vidas ao combate à criminalidade. O debate reuniu parlamentares como o deputado federal Professor Alcides e o deputado estadual Major Araújo, unificando diferentes espectros políticos em torno da pauta da segurança.
Mais do que promessas de campanha, a movimentação de Marconi sinaliza uma tentativa de resgatar uma aliança histórica com os servidores públicos, abalada em pleitos anteriores. Ao dar protagonismo à reserva militar e civil, debater a necessidade de apoio jurídico aos policiais na ativa e planejar a interiorização do efetivo por meio de novos concursos, o pré-candidato tenta fixar a imagem de um gestor equilibrado, capaz de modernizar o Estado sem sacrificar os direitos adquiridos de quem construiu a história de Goiás.
