No Equador, cerca de 280 pessoas com síndrome de Laron concentram-se nas províncias de El Oro e Loja, no sul do país, e enfrentam barreiras físicas, preconceito social e dificuldades no mercado de trabalho, embora a condição genética rara proporcione proteção contra câncer e diabetes. A síndrome impede o organismo de processar o hormônio do crescimento, limitando a altura máxima a 1,20 m, e representa cerca de um terço dos 840 casos registrados no mundo.
Desafios cotidianos e preconceito
Os pacientes relatam olhares constantes nas ruas e rejeição em entrevistas de emprego por causa da estatura. María del Cisne Romero observa que “Quando passamos pela rua, as pessoas ficam olhando, mesmo que já nos tenham visto muitas vezes”. María Gabriela García acrescenta que “Eles me descartam de todas as entrevistas de trabalho devido ao meu tamanho. Não vejo muitas opções para mim”. Paola Boada destaca o impacto emocional: “Uma das coisas que mais me frustraram por ter o Laron é o relacionamento com os homens. Eles me partiram o coração porque existe um padrão de beleza no qual, aparentemente, eu não me encaixo”.
Proteção contra doenças graves
O endocrinologista Jaime Guevara explica que “O que acontece é que o corpo não processa o hormônio do crescimento e as pessoas não atingem a altura padrão”. Ele ressalta ainda que “Mas isso não os prejudica em nível físico, apesar da falta de altura. Além disso, sua condição faz com que eles tenham menos probabilidade de desenvolver câncer ou sofrer de diabetes”. Guevara define a situação como “Esta é a doença da solidão. E este país não oferece muito para que eles vivam melhor”, chamando atenção para a necessidade de políticas de inclusão.
