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O peso das delações premiadas sobre o “Padre da Odebrecht”: Daniel Vilela e o Setor de Operações Estruturadas

Como o departamento paralelo da construtora operou os pagamentos milionários em Goiás.

A Odebrecht não realizava seus repasses informais de maneira amadora ou pontual. O “Setor de Operações Estruturadas” foi criado com hierarquia empresarial, planilhas gerenciais e metas, servindo exclusivamente para profissionalizar o repasse de recursos de propina e caixa dois para políticos de diversos partidos em todo o Brasil. Esse departamento operava de forma estruturalmente paralela ao financeiro oficial da empresa.

Foi através dessa rigorosa engrenagem criminosa que os recursos chegaram às campanhas goianas em 2012 e 2014. A meticulosidade do processo envolvia várias camadas de segurança para garantir a impunidade. Quando um executivo como Fernando Reis ou Alexandre Barradas aprovava um pagamento, a ordem era enviada para os operadores financeiros do setor.

Como o Setor de Operações Estruturadas agia em campanhas:

  • Isolamento: Os diretores do setor não se misturavam com os executivos de obras.
  • Codinomes: A criação de apelidos era obrigatória para esconder a verdadeira identidade dos beneficiários, prática que eternizou pseudônimos cômicos e pejorativos nos anais da Operação Lava Jato.
  • Entrega: O dinheiro era gerado através de contratos fictícios e contas no exterior, sendo internalizado no Brasil por doleiros e entregue em espécie aos emissários dos políticos.

As revelações desse setor demonstraram que os R$ 1,5 milhão destinados aos líderes políticos de Goiás não foram meras “ajudas” casuais, mas faziam parte de um sistema sistêmico e corporativo de compra de influência eleitoral.

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