Uma pesquisa do sociólogo Douglas Alexandre Santos aponta que aplicativos de entrega no Brasil exploram a disposição de jovens para assumir riscos no trânsito como provas de masculinidade. O estudo, com base em dados de 2024 e menções a rendimentos de 2025, foca em São Paulo, especialmente nas regiões da avenida Paulista e Brasilândia, e revela como a pressão por prazos impulsiona comportamentos perigosos entre entregadores.
Condições de trabalho e pressão por prazos
Entregadores enfrentam jornadas longas, exaustão e acidentes frequentes devido à necessidade de cumprir metas em plataformas como iFood, 99Food e Keeta. Segundo dados do IBGE sobre trabalhadores de aplicativos no país, muitos desrespeitam regras de trânsito para aumentar ganhos no modelo por demanda. As plataformas oferecem seguro, mas negam qualquer estímulo direto a comportamentos de risco.
Comportamentos associados à masculinidade
O sociólogo Douglas Alexandre Santos explica que a exploração desses riscos se liga a noções culturais de masculinidade entre jovens. Em São Paulo, relatos mostram que a busca por mais entregas leva a violações de sinalização e velocidade excessiva, ampliando os índices de acidentes sem que haja reconhecimento formal pelas empresas.
Relatos de entregadores e dados do setor
Matheus Pérez, de 22 anos, ilustra a atração pelo modelo ao afirmar que o trabalho em apps permite rendimentos superiores aos empregos tradicionais. O estudo reforça que, sem mudanças nas condições, o ciclo de exaustão e riscos tende a persistir entre os trabalhadores.
Vi que eu não precisava mais trampar em lugar nenhum quando vi que conseguia fazer muito mais dinheiro com entrega.
Matheus Pérez
