Investigações em curso apontam suspeitas de falsificação de medicamentos oncológicos, fraudes em licitações e irregularidades na compra e distribuição de remédios para câncer na Santa Casa de São Gabriel, no Rio Grande do Sul. Os esquemas, que envolvem empresários, advogados e médicos, já resultaram em interrupções de tratamentos, agravamento de condições de saúde e mortes de pacientes em diferentes estados brasileiros.
Relatos de sofrimento entre pacientes e familiares
Pacientes como Maria Jupira, de 57 anos e portadora de câncer de pulmão, ficaram até dois meses sem medicação adequada antes de falecer. Mara Rodrigues, que enfrenta metástase óssea, e uma menina de 12 anos diagnosticada com neuroblastoma, também foram impactadas; a criança morreu em fevereiro. Funcionários da unidade identificaram lotes com erros de grafia, informações divergentes e aparência diferente, o que levou à suspensão da distribuição de remédios sem registro na Anvisa ou importados de forma irregular.
Eu fiquei em pânico e fiquei desesperada achando que eu ia morrer no dia seguinte
uma paciente
Pensei que agora estou numa contagem regressiva. Para que exatamente? Para morrer
outra paciente
Esquemas de fraudes em licitações e ações judiciais
As fraudes envolveram fornecimento irregular por meio de ações judiciais, o que interrompeu tratamentos e expôs pacientes a produtos falsificados. Autoridades policiais continuam as apurações sobre os envolvidos, enquanto familiares e funcionários relatam o impacto direto nas vidas dos afetados. Uma familiar resumiu o sentimento com a frase: “É doloroso saber”. Mara Rodrigues acrescentou que “Essa noite mesmo acordei às 2h30 e só fui dormir às 5h”.
