Um estudo observacional com 826 homens trabalhadores em tempo integral identificou uma forte associação entre o estresse psicológico no trabalho e a disfunção erétil. Os participantes, com idade média de 31,45 anos, foram recrutados entre março de 2022 e agosto de 2024, e a pesquisa foi publicada no International Journal of Clinical Practice. A prevalência da condição alcançou 54,37% no grupo de alto estresse ocupacional, contra 8,21% no grupo de baixo estresse, mesmo após controle por idade, índice de massa corporal, tabagismo e consumo de álcool.
Metodologia e principais achados
Os pesquisadores desenvolveram um índice de estresse ocupacional e dividiram os voluntários em quatro grupos para comparação. Observou-se elevação dos níveis de cortisol e redução da testosterona conforme o aumento do estresse. O desenho observacional não permite concluir causalidade, mas indica que o estresse no trabalho atua como fator de risco modificável associado à disfunção erétil, possivelmente mediado por alterações hormonais.
Recomendações para a prática clínica
O urologista Roni de Carvalho Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, destacou a importância de abordar o tema de forma integrada. O especialista orienta que profissionais de saúde considerem o estresse ocupacional em avaliações de pacientes com queixas sexuais, sem deixar de investigar causas orgânicas conforme a rotina habitual.
Na prática: trate o estresse ocupacional como fator de risco modificável importante, mas mantenha a avaliação de causas orgânicas conforme rotina
Roni de Carvalho Fernandes
