Política

Banco Central rejeita compra do Master pelo BRB e acirra tensões políticas no DF

O Banco Central rejeitou na noite de ontem a aquisição de uma fatia do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), notificando as partes após o fechamento do mercado. Em comunicado aos investidores, o BRB confirmou a decisão e solicitou acesso à íntegra do documento para avaliar fundamentos técnicos e possíveis alternativas. A operação, anunciada em 28 de março, previa a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais por R$ 2 bilhões, mas o BC não detalhou os motivos do indeferimento. Apesar da aprovação prévia pelo Cade em junho, sem restrições à concorrência, a autoridade monetária optou por uma análise antecipada, barrando o negócio que já enfrentava contestações.

A rejeição ocorre em um contexto de controvérsias, incluindo uma liminar do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) que questionava a falta de aprovação da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). O governador Ibaneis Rocha (MDB) respondeu enviando um projeto de lei em regime de urgência, aprovado rapidamente sob protestos da oposição. Críticos apontam preocupações com a saúde financeira do Master, que oferece rendimentos agressivos de até 140% do CDI, e alegam que a transação poderia prejudicar o BRB. Além disso, o Master foi citado na CPMI do INSS por supostas fraudes em empréstimos consignados e tem parceiros investigados na Operação Carbono Oculto pela Polícia Federal.

No âmbito político, a decisão do BC coincide com articulações do centrão para aprovar um projeto de lei que permitiria a demissão de diretores da instituição, interpretado como pressão para autorizar a compra. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou a proposta, afirmando que ela não traz benefícios e gera preocupações sobre intenções ocultas. Opositores, como o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), celebraram a rejeição, destacando-a como defesa dos interesses da população contra uma operação com um banco envolvido em graves problemas financeiros. O BRB informou que rescindirá o contrato e manterá o mercado atualizado.

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