O Rio de Janeiro se prepara para sediar a Cúpula do Brics nos dias 6 e 7 de outubro, sob a presidência brasileira. Este evento coloca novamente o Brasil no centro das discussões geopolíticas globais, após a reunião do G20 no Museu de Arte Moderna há oito meses. O Brics, fórum das maiores economias emergentes fora do G7, busca ser uma voz do Sul Global, mas sua eficácia e influência são frequentemente questionadas.
Com 11 países-membros e 10 parceiros, o Brics tenta aumentar a influência e equidade de seus integrantes em instituições globais como ONU, FMI e OMC. No entanto, a falta de uma estrutura formal e de um orçamento próprio limita sua capacidade de ação concreta. A criação do Novo Banco de Desenvolvimento é um passo, mas sua implementação e impacto ainda são incertos.
A expansão do Brics, com a inclusão de novos membros como Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, e a recusa da Argentina sob Javier Milei, levanta questões sobre a coesão e os objetivos do grupo. A modalidade de países-parceiros, introduzida na Cúpula de Kazan, permite participação sem poder de deliberação, o que pode diluir a força decisória do Brics.
Apesar de representar uma parcela significativa da economia e população mundiais, o Brics enfrenta desafios em se posicionar como um bloco influente. A dependência de consensos internos para implementar decisões e a ausência de uma estrutura permanente questionam sua capacidade de desafiar a ordem global estabelecida, levantando dúvidas sobre seu futuro e eficácia na política internacional.

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