A Casas Bahia anunciou no domingo a avaliação de uma possível renegociação de dívidas com credores, incluindo cenários de recuperação judicial ou extrajudicial, após registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre encerrado em junho de 2026. A empresa, que opera em todo o Brasil, fechou 298 lojas e demitiu cerca de 2 mil colaboradores como parte de ajustes que envolvem baixas contábeis, redução de estoques e revisão de custos.
Contexto econômico por trás da crise
O setor de varejo enfrenta juros reais elevados, com a Selic em 14% ao ano, endividamento das famílias e inadimplência crescente, além de um modelo de negócio marcado por margens baixas e alta competição. Esses fatores, combinados à estrutura de capital fragilizada após a pandemia, levaram a varejista a buscar reorganização de passivos junto a credores e à auditoria EY.
Visão de especialistas do setor
Analistas destacam que o longo ciclo de juros elevados penalizou especialmente o varejo. O fator determinante para a Casas Bahia estar na situação em que está hoje é o que tem afetado diversas empresas de varejo no Brasil, que é o longo e persistente ciclo de juros reais muito altos.
O fator determinante para a Casas Bahia estar na situação em que está hoje é o que tem afetado diversas empresas de varejo no Brasil, que é o longo e persistente ciclo de juros reais muito altos
Alberto Serrentino
O varejo talvez seja o setor mais penalizado pelo nível elevado dos juros, que permaneceram altos por muito tempo. As famílias continuam bastante endividadas e a concorrência no setor é intensa.
O varejo talvez seja o setor mais penalizado pelo nível elevado dos juros, que permaneceram altos por muito tempo. As famílias continuam bastante endividadas e a concorrência no setor é intensa
Marco Saravalle
