Os Estados Unidos enfrentarão grandes desafios para substituir o café arábica brasileiro, que representa um terço do abastecimento americano. Por outro lado, o Brasil também encontrará dificuldades para redirecionar suas exportações de café. Segundo Simão Pedro de Lima, presidente da cooperativa mineira Expocacer, a interdependência entre os dois países no setor cafeeiro é significativa e deve ser abordada com diálogo pragmático. Lima sugere uma conversa “à maneira mineira”, com um café e pão de queijo, para evitar medidas extremas como a sobretaxa de 50% proposta pelo presidente Donald Trump.
As consequências de tal tarifa seriam amplas. Nos EUA, haveria uma compressão das margens na indústria de torrefação e um aumento dos preços no varejo, afetando diretamente o consumidor. No Brasil, os produtores sofreriam com a queda dos prêmios e a necessidade urgente de encontrar novos mercados para mais de 8 milhões de sacas. Lima enfatiza que a substituição do café brasileiro não é viável a curto prazo devido às características únicas do produto, como corpo, doçura e estrutura, que são essenciais para os blends.
Para os americanos, a tarifa resultaria em aumento de preços, já que o custo adicional seria repassado ao consumidor final. Lima destaca que o café é estratégico para a economia americana, influenciando diretamente a inflação dos alimentos. Para o Brasil, encontrar novos compradores rapidamente é inviável, mesmo com mercados potenciais como a China e a União Europeia, que ainda não têm capacidade de absorver grandes volumes de café brasileiro.
Lima conclui que, diante da incerteza, a moderação e o pragmatismo são essenciais nas negociações. Ele acredita que o setor deve evitar ideologias e focar em soluções práticas, apostando na diplomacia e no lobby para buscar exceções para o café na tarifa imposta pelos EUA. A situação exige uma abordagem cuidadosa e estratégica para proteger os interesses de ambos os países no mercado global do café.

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