Um pai brasileiro revelou como interrompeu o ciclo de automutilações de sua filha, induzidas por usuários do Discord, após o suicídio de uma menina de 13 anos transmitido ao vivo na plataforma em julho de 2026. Paulo Zsa Zsa, nome fictício, conta que os primeiros sinais apareceram durante a pandemia de covid-19, quando a filha Júlia recebeu um celular para combater a solidão. O caso ganhou relevância após a transmissão ao vivo, que expôs os riscos de desafios online em grupos de automutilação.
O momento da descoberta
Após uma amiga notar cortes no corpo de Júlia durante um passeio de barco, o pai questionou a filha e confirmou as mutilações. Ele descreve o instante em que viu as marcas na virilha da menina. A revelação ligou os atos a desafios promovidos no Discord, plataforma que se tornou o principal lazer da adolescente durante o confinamento.
Fiquei chocado, porque minha filha podia ter chegado a esse fim
Paulo Zsa Zsa
Uma amiga notou que tinha alguns cortes no corpo da minha filha, escondidos por debaixo daquela blusa de proteção UV
Paulo Zsa Zsa
O impacto da pandemia e da internet
Júlia, que se sentia excluída nas atividades escolares, encontrou no celular uma forma de integração social que rapidamente se transformou em exposição a conteúdos nocivos. Paulo Zsa Zsa relata o choque ao perceber que o dispositivo aberto para lazer também deu acesso a um ambiente perigoso. Ele destaca que milhões de crianças enfrentaram situação semelhante durante as aulas online e o isolamento.
Eu não tinha a menor ideia de que o celular era uma porta aberta para esse inferno em que a nossa vida se transformou
Paulo Zsa Zsa
Ela foi uma menina vítima da pandemia, como milhões de crianças. Que foi obrigada, de uma hora para outra, a viver confinada numa casa, tendo aulas online, então com o computador disponível, e que o lazer que tinha era passar o dia assistindo a vídeos no YouTube e utilizando o celular.
Paulo Zsa Zsa
