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Recorde nos EUA: mais de 11 mil livros proibidos em escolas e bibliotecas em 2025

Milhares de livros foram retirados de bibliotecas e escolas públicas nos Estados Unidos durante o ano letivo de 2025, estabelecendo um recorde de proibições que incluiu obras clássicas, best-sellers e até a Bíblia. O fenômeno atingiu principalmente a Flórida e resultou na remoção de mais de 5 mil títulos de bibliotecas e quase 7 mil de instituições de ensino, com 92% dos casos impulsionados por pressão de grupos ultraconservadores. A iniciativa envolveu pais de alunos, legislação local e ordens executivas federais associadas ao presidente Trump, além de uma proposta no Congresso para cortar financiamento de escolas que mantivessem obras com temática sexual.

Polarização impulsiona retirada de títulos

Os livros afetados frequentemente abordam temas de raça, gênero e identidade, impactando especialmente a comunidade LGBTQ+ e pessoas não brancas. Escolas públicas e bibliotecas americanas tornaram-se epicentro de uma disputa que busca controlar narrativas sobre memória histórica por meio da censura. A medida gerou efeitos de intimidação sobre a liberdade acadêmica e o pensamento crítico dos estudantes.

Declarações de especialista e expansão regional

Segundo Alicia Quiñones, diretora do PEN Internacional para a América, o processo reflete tentativas de redefinir narrativas sociais. Ela afirmou que “O que estamos vendo nos EUA não pode ser separado de um contexto mais amplo de polarização política e de tentativas de redefinir ou controlar as narrativas sobre raça, gênero, identidade e memória histórica. A censura de livros está sendo usada como uma ferramenta para limitar quais histórias podem ser contadas, quais experiências podem ser reconhecidas e quais perspectivas podem fazer parte do debate público”.

Isso não apenas alimenta uma atitude censora dentro de determinados setores da sociedade, como também gera um forte efeito de intimidação sobre o exercício da liberdade acadêmica e, claro, sobre o desenvolvimento do pensamento crítico entre os estudantes

Alicia Quiñones

O mesmo padrão aparece em outros países. Alicia Quiñones observou que “Esse fenômeno também está sendo replicado em outros países, como a Nicarágua. Também documentamos casos na Argentina e, no passado, em outro contexto político, no Brasil. Mas isso está fortemente ligado à questão política”.

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