O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) revelou uma técnica que permite aos produtores de abacaxi controlar a floração natural para escolher o melhor momento de colheita, visando preços mais altos no mercado. Publicada na revista suíça Frontiers in Plant Science, essa pesquisa pode ser uma faca de dois gumes no cenário econômico agrícola.
A pesquisadora Sara Dousseau Arantes, responsável pelo estudo, apontou que a floração desuniforme no Espírito Santo causa problemas significativos, como colheitas irregulares e aumento de custos. A solução encontrada foi a aplicação da aviglicina (AVG), que inibe a produção de etileno, hormônio que induz a floração, permitindo aos produtores programar a colheita para períodos de maior demanda e preço.
No entanto, essa inovação levanta questões críticas sobre o controle econômico e a dependência tecnológica. Ao concentrar a colheita em períodos específicos, como entre abril e junho, os produtores podem manipular o mercado, mas também correm o risco de criar uma dependência de substâncias químicas não registradas para o abacaxi no Brasil, o que pode ser perigoso sem o devido conhecimento técnico.
A pesquisa, realizada em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) na Fazenda Experimental do Incaper em Sooretama, utilizou as cultivares pérola e vitória, destacando a necessidade de doses precisas de AVG para evitar danos às plantas. Enquanto isso, a ausência de testes em áreas comerciais e a falta de registro da aviglicina para abacaxi no Brasil levantam preocupações sobre a viabilidade e segurança dessa prática.

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