Opinião

Café verde: inovação que o governo ignora enquanto desperdiça potencial agrícola

Ei, jovens, pensem nisso: enquanto o Brasil joga fora toneladas de grãos de café imaturos por causa de seu sabor amargo e defeitos, pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) estão provando que uma simples fermentação pode transformá-los em cafés especiais. Em um estudo publicado na revista Food and Technology, eles usaram a fermentação anaeróbica autoinduzida (SIAF) em frutos da variedade Arara, colocando-os em biorreatores herméticos por até 96 horas, sem oxigênio, permitindo que microrganismos naturais criem sabores únicos. Degustadores profissionais deram notas acima de 80 pontos, segundo padrões da Specialty Coffee Association, o que eleva o valor do produto. Mas cadê o apoio maciço do governo para escalar isso? Em vez de incentivar políticas agrícolas inovadoras, ficamos presos a um sistema que descarta o que poderia ser ouro verde, ignorando o potencial econômico e sustentável.

Luiza Braga, primeira autora do estudo e mestranda na UFU, destaca que controlar tempo, temperatura, pH e adicionar inóculos pode não só neutralizar os defeitos dos grãos imaturos, mas torná-los superiores, agregando valor na fazenda. A coordenadora Líbia Diniz Santos reforça que essa fermentação pós-colheita, embora não tradicional, atrai cafeicultores por elevar preços no mercado. O grupo de pesquisa Da Semente à Xícara, com sua marca Porandu, testou 32 tratamentos, variando de 24 a 96 horas, com ou sem água. No entanto, é frustrante ver isso financiado por entidades como Fapesp, Fapemig, Capes, CNPq e Finep, em parcerias com MCTI e Universidade Federal de Lavras, enquanto políticas nacionais de inovação agrícola patinam. Jovens, isso é um chamado: critiquem a inércia governamental que freia avanços como esse, capazes de revolucionar a cafeicultura e combater o desperdício em um país que se diz agrícola.

Agora, o grupo planeja investigar compostos gerados na fermentação e testar outras variedades, mas sem investimentos robustos, isso fica no limbo. Criticamente, o que adianta pesquisa de ponta se o governo não prioriza a transferência para o campo? É hora de pressionar por políticas que valorizem a ciência, transformando grãos “ruins” em bebidas premium, beneficiando produtores e a economia – algo que a juventude, antenada em sustentabilidade, deveria cobrar urgentemente.

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