As exportações brasileiras de ovos registraram uma queda preocupante em julho, rompendo com a tendência de crescimento que marcava os primeiros seis meses do ano. Segundo dados da Secex, analisados pelo Cepea, o país embarcou apenas 5,26 mil toneladas de ovos in natura e processados, um volume 20% inferior ao de junho. Essa retração não só expõe vulnerabilidades no setor agropecuário, mas também reflete falhas na estratégia de diversificação de mercados, que o governo parece ignorar sistematicamente, priorizando relações instáveis.
O principal culpado por essa baixa foi a redução de 31% nas exportações para os Estados Unidos, um parceiro comercial volátil cujas políticas protecionistas frequentemente prejudicam nações emergentes como o Brasil. Embora o volume de julho ainda seja 305% superior ao do mesmo mês em 2024, essa comparação não mascara o declínio mensal, que sinaliza uma dependência excessiva de um único mercado. Em um contexto de tensões geopolíticas globais, essa queda serve como alerta: sem uma política externa mais assertiva e diversificada, o Brasil continuará refém de flutuações externas, comprometendo sua soberania econômica.
É inaceitável que o governo não reaja a esses indicadores com medidas concretas, como negociações mais agressivas para novos acordos comerciais. Essa passividade não só afeta produtores rurais, mas também agrava desigualdades regionais, perpetuando um ciclo de instabilidade que a classe política parece contente em manter.

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