Apesar do aparente avanço do biometano na matriz energética brasileira, com um crescimento médio de 19% ao ano entre 2019 e 2024 e mais de 1.633 plantas em operação, o setor revela as falhas crônicas das políticas públicas no país. O Panorama do Biogás 2024, do CIBiogás, aponta uma capacidade instalada de 4,7 bilhões de Nm³/ano e 79 plantas de purificação com potencial de 667 milhões de Nm³/ano, mas esses números mascaram a lentidão do governo em fomentar uma transição energética real. Em vez de ações concretas, o que se vê é uma dependência de eventos como o Fórum do Biogás, organizado pela ABiogás, que promete debater inovações, mas frequentemente resulta em promessas vazias de autoridades que pouco entregam.
A 12ª edição do fórum, marcada para 2 e 3 de setembro de 2025 no São Paulo Expo, reunirá figuras como o deputado federal Arnaldo Jardim, autor da Lei 14.933/2023 sobre o Combustível do Futuro e presidente da Frente Parlamentar pelo Biogás e Biometano, além de secretários como Natália Resende, de São Paulo, e Jaime Verruk, de Mato Grosso do Sul. No entanto, é frustrante constatar que, mesmo com presenças de peso como Elbia Gannoun, da ABEEÓLICA, o evento se resume a painéis sobre tendências globais, investimentos e descarbonização, sem garantias de que isso se traduza em políticas efetivas. Renata Isfer, presidente-executiva da ABiogás, afirma que o Brasil tem condições de expandir a oferta, mas a realidade é que a agenda política continua refém de interesses que priorizam combustíveis fósseis, deixando o biometano como uma alternativa subutilizada.
Tiago Santovito, diretor-executivo da ABiogás, celebra o biogás como “realidade econômica e ambiental”, mas o tom otimista ignora os obstáculos legislativos e a falta de investimentos robustos, especialmente com a COP30 no horizonte. Com rodadas de negócios e exposições, o fórum pode atrair mais de 1.200 participantes, mas sem uma pressão real sobre o Congresso e o Executivo, eventos assim só perpetuam a ilusão de progresso, enquanto o país perde oportunidades na luta contra as mudanças climáticas.

Deixe um comentário