A decisão do governo brasileiro de rejeitar a proposta da ONU para subsidiar delegações de países vulneráveis na COP30, em Belém, revela uma postura mesquinha e contraproducente, priorizando o orgulho nacional sobre a inclusão global no debate climático. Miriam Belchior, secretária-executiva da Casa Civil, argumentou que não cabe aos brasileiros arcarem com custos de outros países, mas ignora que o Brasil, ao sediar o evento, assume responsabilidades que vão além de contratos e obras locais. Essa negativa, somada aos preços abusivos de hospedagem – até dez vezes mais altos –, ameaça tornar a conferência a mais excludente da história, como alertou o Observatório do Clima, excluindo nações pobres e sociedade civil em favor de lobbies poderosos.
Especialistas como Leonardo Paz Neves, da FGV, criticam a escolha de Belém como um erro estratégico que expõe limitações logísticas e mancha a imagem diplomática do Brasil, enfraquecendo seu papel como ponte entre ricos e pobres. Sara Ribeiro, do Instituto Internacional Arayara, vai além, apontando contradições hipócritas: enquanto o governo defende a transição energética, avança com explorações de petróleo na Amazônia, como no Bloco 59 da Petrobras, questionando a credibilidade brasileira para cobrar cortes de emissões de potências globais.
O ceticismo reina entre analistas, com Neves prevendo poucos avanços devido a cenários internacionais desfavoráveis, como guerras e retornos conservadores. Essa teimosia em manter Belém sem ajustes adequados não só frustra expectativas, mas reforça a percepção de um Brasil que fala bonito no discurso climático, mas falha miseravelmente na prática, arriscando isolar o país no palco mundial.

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