Um em cada três trabalhadores dos canaviais da Região Metropolitana de Campinas apresenta sinais de sofrimento mental, segundo tese de doutorado da Unicamp que avaliou 100 profissionais do setor sucroenergético. A pesquisa, defendida em fevereiro de 2026 na Faculdade de Ciências Médicas da universidade, revela que as condições precárias de trabalho contribuem para o desgaste físico e mental, especialmente entre cortadores manuais, mulheres e diaristas. A autora, Beatriz Machado de Campos Corrêa Silva, utilizou entrevistas, questionários validados e observações diretas nos canaviais e usinas para mapear fadiga, qualidade de vida e indicadores de sofrimento mental.
Condições precárias persistem após mecanização
Apesar da mecanização do setor, os problemas de saúde mental permanecem subestimados. A tese destaca a ausência de banheiros, locais de descanso e lavatórios, além da falta de vínculo empregatício fixo entre diaristas. Mulheres enfrentam ainda a dupla jornada, o que agrava o quadro. A pesquisadora ressalta que estudos anteriores focavam apenas na fadiga física, enquanto a mecanização priorizou o meio ambiente em detrimento da saúde dos trabalhadores.
Saúde mental no campo exige abordagem integral
Os dados indicam que fatores como jornadas exaustivas e ausência de suporte psicossocial elevam os índices de sofrimento mental. A pesquisa defende políticas que considerem o trabalhador de forma completa, incluindo suporte psicológico. Beatriz Machado de Campos Corrêa Silva alerta que o tema ainda é pouco debatido no meio rural, apesar de seu impacto direto na qualidade de vida.
Impactos e recomendações para o setor
A tese conclui que intervenções urgentes são necessárias para reduzir o sofrimento mental nos canaviais da RMC. Entre as sugestões estão melhorias nas condições básicas de trabalho e programas de apoio à saúde mental. Os resultados reforçam a necessidade de olhar para o setor sucroenergético com foco no bem-estar integral dos profissionais.
Até uns anos atrás, houve muitos estudos relacionados à fadiga física desses trabalhadores, em um período em que muitos morriam por exaustão, porque o trabalho físico era realmente muito intenso. Depois veio a mecanização, mas com uma preocupação maior em proteger o meio ambiente, e não olhando para a saúde dos trabalhadores.
Beatriz Machado de Campos Corrêa Silva
Esses fatores contribuem para o desgaste físico e mental. As condições de trabalho ainda são precárias em muitos lugares.
Beatriz Machado de Campos Corrêa Silva
É preciso olhar para esses trabalhadores de forma integral, considerando não só o corpo, mas também a mente. A saúde mental no campo ainda é um tema pouco debatido.
Beatriz Machado de Campos Corrêa Silva
