Há 25 anos, o governo federal determinou a retirada de álcool de tônicos, fortificantes e estimuladores de apetite, o que obrigou o Biotônico Fontoura a reformular sua receita original, que continha 9,5% de etanol. Criado em 1910 por Cândido Fontoura Silveira e comercializado a partir de 1916, o produto ganhou notoriedade no interior de São Paulo, especialmente na região de Bragança Paulista, após recomendações médicas e o apoio de Monteiro Lobato. Hoje, a marca pertence à Hypera Pharma desde 2007 e continua no mercado com fórmula sem álcool.
Origem artesanal do fortificante
O Biotônico Fontoura surgiu em uma época em que os medicamentos eram preparados manualmente. Segundo o especialista Eder de Carvalho Pincinato, a maioria dos medicamentos dessa época era manipulada de forma artesanal pelos farmacêuticos, chamados de boticários, nas suas próprias boticas ou em pequenos laboratórios. A fórmula inicial combinava fosfatos, sais de ferro e vinho espanhol, o que conferia características de elixires comuns no início do século XX.
Eram quase como garrafadas, derivados de plantas fitoterápicas em forma de elixires e tônicos, que representavam a indústria farmacêutica daquele período
José Roberto da Costa Pereira
Mudança regulatória e contexto histórico
A proibição federal, ocorrida por volta de 2001, visava eliminar o álcool de produtos destinados ao consumo humano, especialmente por crianças. José Roberto da Costa Pereira explica que o fato de depois ter sido direcionado às crianças, mesmo contendo álcool, ocorre porque, naquela época, não havia o entendimento atual. Acreditava-se que, em algumas situações, isso era benéfico e estimulava o apetite das crianças. A esposa de Cândido Fontoura, Elvira Siqueira de Castro, também participou da trajetória inicial do produto. A reformulação manteve a essência do fortificante, agora adaptado às normas atuais de segurança.
