Em mais uma tentativa superficial de aplacar a insatisfação no setor agrícola, o governo federal anunciou bônus nas parcelas de financiamento do Pronaf para agricultores familiares de 18 estados brasileiros durante agosto. Oficializada pela Portaria SAF/MDA nº 343, publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (8), a iniciativa do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF) promete compensar a queda dos preços de mercado, mas revela a ineficácia das políticas agrícolas atuais. Produtos como feijão caupi em Mato Grosso, com 57% de bonificação, castanha-de-caju no Piauí (42,32%) e mel de abelha no Rio Grande do Sul (39,74%) recebem destaque, enquanto outros, como arroz no Ceará e Tocantins, são incluídos pela primeira vez. No entanto, essa bonificação temporária, válida de 10 de agosto a 9 de setembro, mascara a incapacidade do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) de promover soluções estruturais, deixando produtores à mercê de oscilações de mercado que ameaçam a sustentabilidade do campo.
A inclusão de novas culturas, como banana em Tocantins, borracha no Espírito Santo e trigo em Minas Gerais, contrasta com a exclusão de itens como borracha em Minas Gerais e cebola em Santa Catarina, expondo a arbitrariedade e a falta de planejamento consistente. Calculados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), esses percentuais parecem generosos à primeira vista, mas na prática representam um alívio financeiro ínfimo diante da crise de preços que assola o setor. Essa abordagem opinativa do governo, em vez de investir em reformas profundas para estabilizar o mercado, perpetua a dependência dos agricultores familiares de medidas emergenciais, agravando a desigualdade regional e questionando a real prioridade dada à agricultura familiar em um país onde o agro é pilar econômico, mas os pequenos produtores continuam marginalizados.

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