O anúncio de hoje pelo governo brasileiro de um pacote de medidas contra o tarifaço imposto por Donald Trump revela o quão vulnerável está a economia nacional diante de decisões unilaterais dos Estados Unidos. Com tarifas de 50% sobre produtos como aço, alumínio, etanol e itens agrícolas, o Brasil enfrenta uma ameaça direta a suas exportações, e a resposta de Lula, incluindo uma linha de crédito de R$ 30 bilhões via medida provisória, soa mais como um remédio paliativo do que uma solução robusta. A presença do presidente, do vice Geraldo Alckmin e de empresários no Palácio do Planalto não mascara o fato de que pequenas empresas, as mais afetadas, correm risco de colapso, com empregos em jogo, enquanto o governo admite que pode precisar aumentar o valor – um sinal claro de improvisação em meio ao pânico.
Pior ainda, as alterações no Fundo de Garantia à Exportação e o apelo à OMC para contestar as tarifas destacam a passividade inicial do Brasil, que agora busca diversificar mercados para China e Índia, mas ignora o custo imediato dessa transição. Lula critica Trump e promete preservar empregos, mas suas palavras sobre não fazer “bravata” e medir consequências soam como hesitação diplomática, especialmente após o cancelamento de uma reunião com o secretário de Tesouro dos EUA. A pesquisa da Ipsos-Ipec mostra que 75% dos brasileiros veem o tarifaço como político, com a imagem dos EUA em queda livre, o que agrava a polarização interna e expõe como políticas externas de Trump estão semeando instabilidade global, deixando o Brasil refém de negociações incertas.
Enquanto isso, o ministro Fernando Haddad declara que a bola está com os americanos, mas essa postura reativa não inspira confiança, ainda mais com o tarifaço já elevando preços internos nos EUA – ironia que Lula destaca, mas que não alivia o sofrimento dos exportadores brasileiros. A rejeição de 47% à ideia de distanciamento comercial reflete o ceticismo público, e priorizar parcerias com China e UE, apoiado por 68%, parece uma fuga desesperada de uma relação tóxica com Washington, que prioriza brigas em vez de diálogo, como criticou Rui Costa. No fim, essas medidas podem mitigar danos, mas não revertem o retrocesso imposto por Trump, ameaçando o futuro econômico do país.

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