A médica Krícis Heather Torres recebeu em maio de 2026, aos 33 anos, o diagnóstico de autismo nível 1 de suporte e decidiu deixar a carreira cirúrgica para atuar como influenciadora de saúde nas redes sociais. Após mais de uma década de sintomas não identificados, tratamentos para depressão e ansiedade e mudanças de cidade e médicos, ela concluiu que o centro cirúrgico já não era o ambiente adequado. A neuropsicóloga Joana Portolese acompanhou o processo que revelou a necessidade de autocuidado diante de sobrecarga sensorial e esgotamento.
O diagnóstico e os desafios acumulados
O laudo confirmou o que Krícis já suspeitava há anos. Os sintomas de autismo, antes confundidos com outros quadros, impediam a manutenção do ritmo exigido pela cirurgia. A profissional relata que sempre se destacou na faculdade de medicina e na residência, mas percebeu que continuar no ambiente hospitalar comprometia sua saúde. A decisão de se aposentar da sala cirúrgica surgiu como forma de preservar o bem-estar e redirecionar a carreira.
A transição para o conteúdo digital
Com o diagnóstico em mãos, Krícis optou por compartilhar informações sobre saúde mental e neurodivergência nas redes sociais. O objetivo é informar o público e reduzir o tempo entre o aparecimento de sintomas e o diagnóstico correto. A mudança permite que ela atue de forma alinhada às suas necessidades atuais, sem abrir mão da expertise adquirida ao longo da formação médica.
Hoje em dia eu falo que eu tô quebrada, porque é como eu sinto. Eu sempre fui muito boa no que eu fiz, eu fui excelente na faculdade de medicina. Eu fui excelente na residência. Só que infelizmente eu não tô conseguindo fazer o que sempre sonhei porque eu preciso me cuidar
Krícis Heather Torres
A trajetória de Krícis Heather Torres ilustra como o diagnóstico tardio pode levar a reavaliações profissionais significativas. Ao priorizar o autocuidado, ela demonstra que a saúde deve vir em primeiro lugar, mesmo quando isso implica mudar o rumo de uma carreira construída com excelência.
