A inauguração do Super Centro Carioca de Vacinação no Shopping Nova América, em Del Castilho, pela Secretaria Municipal do Rio, parece mais uma tentativa desesperada de maquiar as deficiências crônicas no sistema de saúde da cidade. Nesta terça-feira (19), o secretário Daniel Soranz anunciou a unidade como a terceira do modelo, operando todos os dias da semana, inclusive feriados, com horários estendidos alinhados ao shopping. No entanto, em um contexto de cobertura vacinal que, apesar de elogiada pelo próprio secretário, ainda deixa lacunas evidentes, essa iniciativa soa como uma medida reativa e insuficiente, especialmente quando a população enfrenta barreiras diárias para acessar serviços básicos.
Oferecendo vacinas contra febre amarela, sarampo e covid-19 para idosos acima de 60 anos e imunossuprimidos, além de todos os imunizantes do Programa Nacional de Imunizações, o centro promete atualizar cadernetas para todas as faixas etárias e, em breve, vacinas especiais para portadores de doenças crônicas via CRIE. Soranz espera vacinar pelo menos 400 pessoas por dia, com capacidade maior, mas essa meta otimista ignora o histórico de promessas não cumpridas na administração municipal, onde locais de grande circulação como shoppings são explorados para disfarçar a falta de investimentos estruturais em postos de saúde permanentes.
No fim das contas, enquanto a cidade se gaba de uma das melhores coberturas vacinais, ações como essa revelam uma dependência de soluções temporárias, que não resolvem problemas de fundo como a subnotificação de casos e a desigualdade no acesso à zona norte. É hora de questionar se esses “super centros” não são apenas propaganda eleitoral disfarçada, em vez de uma estratégia genuína para proteger a população.

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