O atentado contra o senador e pré-candidato à presidência Miguel Uribe, baleado nas costas durante um ato político em Bogotá, é um sintoma alarmante da falência da política de “paz total” promovida pelo presidente Gustavo Petro. Aos 29 anos, Uribe, opositor ferrenho de Petro, luta pela vida em estado crítico, enquanto um adolescente de 15 anos foi preso confessando ter agido por dinheiro. Essa violência não é isolada: apenas três dias depois, uma onda de atentados em Cali deixou oito mortos e 62 feridos, com explosões e tiroteios que remetem aos piores dias dos anos 80 e 90, quando cartéis e guerrilhas aterrorizavam o país. Atribuídos ao Estado-Maior Central (EMC), dissidência das Farc, esses ataques revelam como a leniência do governo fortaleceu grupos armados, em vez de contê-los.
A polarização política, inflamada por Petro, o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, agrava o caos, com opositores como Vicky Dávila e Daniel Quintero temendo por suas vidas. A recusa de nove partidos em participar de uma reunião de segurança proposta pelo presidente evidencia a desconfiança profunda, enquanto a oposição acusa Petro de incitar o ódio que culminou no atentado contra Uribe. Reformas como a trabalhista, impostas por decreto e consulta popular questionável, só alimentam o cerco contra as instituições, aproximando o país de uma crise que a Arquidiocese de Bogotá alerta poder levar à guerra civil.
Esse recrudescimento da violência, com quase 1 milhão de afetados só nos primeiros meses de 2024 segundo a ONU, expõe o erro crasso de Petro em negociar com rebeldes como o ELN e dissidentes das Farc, que disputam territórios para o narcotráfico. O passado sombrio, marcado por assassinatos de candidatos como Luis Carlos Galán e a mãe de Uribe, Diana Turbay, volta a assombrar, provando que a “paz total” não passa de ilusão, fortalecendo vozes que clamam por uma guerra total contra esses grupos. A Colômbia merece melhor que esse retrocesso sangrento.

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