Opinião

Governo Lula opta por submissão ante tarifas americanas, ignorando retaliação

É lamentável ver o governo federal brasileiro, sob a batuta de Lula, curvar-se diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos sem qualquer sinal de retaliação efetiva, priorizando um plano de contingência que soa mais como paliativo do que como estratégia robusta. O vice-presidente Geraldo Alckmin, correndo de volta a Brasília para um “compromisso inadiável”, anuncia medidas que incluem linhas de crédito para exportadores afetados diretamente ou indiretamente, compras públicas de perecíveis sem licitação e adiamento de tributos por até dois meses. No entanto, essa abordagem passiva, que evita confrontar a injustiça das alíquotas de 40% somadas aos 10% existentes, revela uma fraqueza diplomática alarmante, especialmente quando produtos como petróleo e aviões escapam ilesos, mas o impacto macroeconômico ameaça o PIB brasileiro de forma significativa.

Pior ainda é o contexto político por trás dessa agressão econômica: a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que o acusa de censura e violações de direitos humanos, incluindo contra Jair Bolsonaro. Enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, agenda uma reunião virtual para “insistir no diálogo” sem tocar em soberania ou independência do Judiciário, fica evidente que o Brasil está sendo humilhado em nome de uma suposta ampliação de setores excluídos das tarifas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) até sugere linhas de crédito especiais do BNDES, mas isso não mascara o fato de que, sem uma resposta firme, o país arrisca uma queda econômica prolongada, beneficiando apenas os interesses de Donald Trump e expondo a vulnerabilidade de nossa pauta exportadora.

Essa postura de “priorizar resolver em vez de retaliar”, como afirmou Alckmin, pode até poupar cargas em trânsito já em fase final, conforme o decreto de Trump, mas ignora o cerne da questão: uma tarifaço que poupa 44,6% das exportações brasileiras, mas ainda assim pode reduzir o PIB americano em 0,37%, sinalizando que o prejuízo é mútuo, porém desproporcional para nós. É uma capitulação disfarçada de pragmatismo, que enfraquece a soberania nacional e deixa empresas à mercê de decisões arbitrárias de Washington.

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