Opinião

São Paulo e Rio: uma divisão fatal no debate sobre mototáxis

Enquanto São Paulo adota uma postura firme e necessária contra os perigos dos mototáxis, proibindo o serviço para evitar uma carnificina nas ruas, o Rio de Janeiro parece flertar com o caos ao buscar regulamentações que, na prática, incentivam uma modalidade de transporte comprovadamente letal. A prefeitura paulistana, liderada por Ricardo Nunes, trava uma batalha judicial contra plataformas como a 99, rotulando-as de “assassinas” por priorizarem lucros sobre vidas, uma crítica que ecoa a realidade alarmante: acidentes de moto são 17 vezes mais fatais que os de automóveis, segundo a Abramet. Essa proibição, reforçada por uma lei estadual sancionada por Tarcísio de Freitas, reflete uma visão responsável, priorizando a segurança pública em meio a debates na Câmara Municipal, mas expõe a negligência federal que permite tais serviços arriscados.

No Rio, a abordagem do vice-prefeito Eduardo Cavalieri de uniformizar regras entre plataformas e criar pontos de apoio soa como uma ilusão perigosa, ignorando a epidemia de acidentes que quintuplicou os emplacamentos de motos desde a pandemia e resulta em 80 atendimentos diários em hospitais municipais. Gastando R$ 130 milhões anuais com vítimas – majoritariamente jovens negros de baixa escolaridade –, a cidade opta por incentivar “empreendedores” em motos, uma estratégia que especialistas como Erivelton Guedes, do Ipea, condenam como uma tragédia anunciada, pois qualquer regulamentação falsa a ideia de segurança. Essa divisão política entre as duas maiores cidades brasileiras não só divide opiniões, mas perpetua uma ameaça à saúde pública, onde o ganho rápido suplanta a preservação de vidas.

Opiniões como a de Victor Pavarino, da Opas, reforçam o erro: em vez de promover motos em favelas como única opção, autoridades deveriam investir em transporte público acessível para desincentivar essa troca mortal. O depoimento de Alfredo Barbosa de Lima, do Sindmoto-RJ, sobre seus 17 acidentes e a necessidade de educação melhor, só destaca a insuficiência das medidas atuais, tornando urgente uma proibição nacional para evitar mais mortes evitáveis.

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